Abril de 2019

Vida Eterna: presença eterna viva entre nós

Em nossas Dicas Bíblicas deste ano propusemo-nos a meditar sobre a Primeira Carta de João, livro escolhido para o Mês da Bíblia. Até aqui procuramos contextualizar o texto e passamos o olhar sobre sua estrutura, de modo a nos auxiliar com uma visão mais ampla para nos situarmos em sua realidade. E então?… Como estamos? Sentindo-nos membros de uma comunidade joanina? Testemunhando as ameaças às pregações apostólicas diante do pensamento de grupos que negavam a encarnação e divindade de Jesus e o sentido salvífico da sua vida, morte e ressurreição? Oxalá estejamos preparados para abrir a carta de João, e refletir sobre ela como seus destinatários. Vamos juntos?

Com o desejo de ouvir o que tem a nos dizer o autor em sua carta, e com o coração aberto, façamos, nesta nossa Dica, a leitura de sua introdução: 1Jo1,1-4.

Neste prólogo, o autor se coloca com a autoridade a que se sente revestido por seu testemunho ocular (1,1), e chama nossa atenção para a motivação (1,2), finalidade (1,4) e conteúdo (1,3) que justificam esta sua carta.

Inicia-a com a expressão “o que era desde o princípio”, expressão esta que nos leva a recordar o Evangelho segundo João. No entanto, no contexto em que a carta é escrita, esta expressão nos oferece muitas e diversas outras interpretações. Dentre elas, para esta nossa Dica, ouso deixar que meu coração se encante e me permito compreendê-la como uma referência a Jesus: a autorrevelação do Pai, por meio do Filho, se revelando historicamente como “Palavra de Vida”.

Sim! A motivação do autor ao escrever esta carta é a de anunciar a “Vida Eterna”, vida que se refere ao Filho de Deus preexistente, o Jesus divino, que se encarna, que veio habitar entre nós. E muito mais! Vida que também é testemunhada e que se dá a conhecer, a ser experienciada, vista, tocada e ouvida (1Jo 1,2). O Jesus encarnado. É o autor contrapondo àqueles da comunidade que negavam a encarnação e divindade de Jesus e o sentido salvífico da sua vida e ressurreição.

Ele persiste no que foi anunciado à comunidade: a Vida Eterna! Vida Eterna sempre pronta a se fazer vida à medida que nos dispomos a viver, a estar em comunhão uns com os outros (1Jo 1,3). Vida eterna que deve ser acolhida não de forma individualista, como entendia o grupo rebelado, mas de forma comunitária. De uma comunidade que se une ao Pai através do Filho. Por que o que é a comunhão senão uma maneira concreta, simples e real de viver a nossa relação com Deus? A comunhão, marcada pela fé e pelo amor, e mediada por Jesus Cristo, o Filho de Deus Encarnado, nos convida a estar com Deus, a conhecê-Lo, e a permanecer em Cristo.

Por que tanta preocupação do autor em insistir neste anúncio da Vida Eterna que se manifesta? Porque era preciso refletir junto à comunidade sobre o pensar daquele grupo dissidente que propagava o entendimento de que o batismo era suficiente para estabelecer a união com Deus, e que, juntamente com o conhecimento de si mesmo, seria capaz de conduzir cada um à salvação.

Dessa forma o autor reafirma que Jesus é a Palavra Encarnada que veio para nos dar a conhecer em plenitude o projeto de Deus, projeto que se processa à medida que somos capazes de viver a comunhão entre nós, com o Filho e o Pai. Jesus veio para ser o caminho da salvação!

Se desejarmos resumir 1Jo 1,1-4, basta que observemos os três termos que o autor enfatiza repetindo-os nos versículos sobre os quais refletimos: “anunciamos”, “manifestou-se” e “comunhão”. A Primeira Carta de João nos traz o anúncio da Vida Eterna que se manifestou para nos conduzir ao Pai, através da comunhão entre nós, mediados pelo seu Filho encarnado… para que a nossa alegria seja completa (1Jo 1,4)

Pausa para refletir:

  1. O autor usa dos sentidos: tocar, ver, ouvir, contemplar para dar o seu testemunho da encarnação de Jesus. Você pode dar esse seu testemunho em nossos dias através da experiência de ser tocado por Deus, por meio da vivência profunda das palavras e gestos de Jesus. Reflita e comente.
  2. Com que ações você poderia anunciar à sua comunidade a Vida Eterna manifestada com a encarnação de Jesus?
  3. No texto somos chamados a viver a comunhão entre nós, o Pai e o Filho. Como você responde a este chamado?