Abril de 2018

“Amai a justiça”

Sb 1,1-15

Estão lançados os preâmbulos para darmos início às nossas reflexões motivadas pelo Livro da Sabedoria. Percorremos o contexto em que ele foi escrito, e pudemos lançar um olhar amplo sobre sua estrutura de modo a nos auxiliar neste encontro com o texto. Prontos para começar? Que seja com Sb 1,1-15! Este texto apresenta, de forma sucinta, os temas que irão perpassar o Livro da Sabedoria: a justiça, sabedoria e imortalidade.

O autor em Sb 1,1-15 exorta os governantes, não somente de Israel, mas também de todas as nações, a amarem a justiça e buscarem o Senhor (1,1), dado que eles também exerciam o poder de julgar. Conscientes, no entanto, de que é o Deus de Israel quem, de forma definitiva, julga a terra.

Na busca pelo Senhor, podemos nos perguntar: onde está Deus? E a resposta pode ser ouvida através dos profetas: Deus está sempre onde está a justiça (Am 5,7.10-15; Mq 3,1-3; Jr 22,13-17; Is 58,6-8). A justiça é, pois, o caminho que leva a Deus. Por isso é preciso saber reconhecê-la e praticá-la. Como? O v.1 nos orienta: pensando e buscando o Senhor por meio das suas manifestações no cotidiano (Ex 33,13).

O Senhor se revela a todos, mas o ser humano tem a possibilidade de não aceitar sua manifestação: exigindo sinais extraordinários, colocando Deus à prova (1,2b), não confiando no seu amor e não percebendo a singeleza da sua presença no dia a dia.

Outro aspecto que o nosso autor evidencia é que a sabedoria é incompatível com a injustiça (pecado). Deste modo, ela se afasta das pessoas perversas, que promovem a maledicência (1,6), a iniquidade (1,8-9). Porém, é amiga e está sempre pronta a favorecer as pessoas que visam à justiça, à integridade e à retidão.

Neste texto menciona também o Santo Espírito (1,5a), que está presente em todo o universo, atento a todos os sons (1,7) e a tudo (1,10). Ele conhece tudo e nada passa despercebido, nem as motivações mais ocultas, as mentiras, os projetos dos perversos (1,8-10). Esse Espírito é Santo, porque é o espírito da santidade de Deus, e tem a função de instruir e conceder a sabedoria, que consiste em conduzir e orientar as pessoas a compreender e a praticar a justiça.

O autor introduz também o tema da morte, vv. 12-15, não a morte biológica (que é um processo natural da criação), mas a morte que é provocada por meio das palavras maldosas e das atitudes impregnadas de injustiça e violência, dado que o ser humano é capaz de provocar a sua ruína ao optar pelo mal (1,12b). De fato, a violência, a injustiça, a falta de sensibilidade e tanta maldade presente em nossa sociedade não provêm de Deus, nem de sua sabedoria, pois o nosso Deus é o Senhor da Vida. Tudo foi criado para o bem do ser humano (1,13-15), todos e toda a natureza trazem a marca do Criador que é um Deus bom, (1,14b; Gn 1,1-2,4) e cabe a cada um e a cada uma ser responsável por suas escolhas. Portanto, nesta introdução do Livro da Sabedoria, o autor nos exorta, juntamente com os governadores das nações, a sermos promotores da vida e não da morte, da justiça e não da injustiça, a falarmos palavras geradoras de sabedoria e não espalhar a discórdia, o ódio, a morte.

Pausa para refletir!

  1. Estamos no ano do Laicato, que nos convida a sermos “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14). Como podemos “amar a justiça, pensar e buscar o Senhor” em nossa família, em nosso trabalho, nos meios que vivemos e atuamos?
  2. A Campanha da Fraternidade, na Quaresma, nos convidou a refletir sobre a violência. Leia Sb 1,8-12 e comente como a violência se manifesta em nossa sociedade. Este texto poderia também servir para as pessoas que governam nosso país?
  3. Páscoa é a celebração da vitória da vida sobre a morte. Como Sb 1,13-15 poderá nos iluminar e encontrar pistas de ação para viver a “páscoa” no nosso dia a dia?