ARTIGOS

Comunicação: espaço sócio-cultural para evangelização

Joana T. Puntel

Falar da Comunicação como espaço sociocultural para se realizar a evangelização no mundo contemporâneo significa abordar, sobretudo, um contexto de sociedade que se transforma numa velocidade alucinada, marcado pelos avanços tecnológicos, sobretudo pela era digital, que provoca mudanças sociais e de costumes, aonde o mundo das comunicações se apresenta como uma área cultural de grande importância a ser refletida pela Igreja.

Esse fato tem relevância quando percebemos que estamos inseridos neste meio e fazemos parte desta história. Esta é a história que nos compete. Somos chamados a atuar e a sermos “instrumentos de salvação” na história vivida de nossa cotidianidade. Esta sociedade midiática é o “lugar teológico” para cada um de nós, cristãos!

E as mudanças rápidas das tecnologias de comunicação têm a ver com a vivência da fé cristã, quando pensamos, por exemplo, que “estamos imersos numa cibercultura, a cultura virtual, que expressam o surgimento de um novo universal, sem totalidade. Um universo de técnicas, de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem e que exercem influência sobre a fé e a vivência da religiosidade” (DZ). Trata-se, então, de estabelecer o “diálogo” entre Evangelho e cultura, aprofundando as palavras de Paulo VI, no documento sobre a evangelização Evangelii Nuntiandi que afirma: “a ruptura entre o Evangelho e a cultura é, sem dúvida, o drama da nossa época” (EN, 20). Esta expressão é reconfirmada por João Paulo II em outro documento, sobre as missões, Redemptoris Missio (37).

O que é preciso levar em consideração, entretanto, não são apenas a existência de novos aparatos tecnológicos (pois estamos na era digital!). Trata-se de conhecer, compreender a revolução de linguagem que estamos vivendo neste início de terceiro milênio. Mudam os paradigmas, sobretudo, os métodos para explicitar a fé.

Daí a importância e o convite para a Teologia conhecer, refletir e “iluminar” esse revolucionário “lugar teológico”, que sempre mais provoca a mudança de referencias, linguagens e métodos pastorais na evangelização atual.