Dezembro de 2018

Jesus: fonte viva da Sabedoria

É tempo de festa! No decorrer destes meses, inspirados no mês da Bíblia, tivemos como fonte para nossas reflexões o Livro da Sabedoria. Poderia haver ocasião mais eloquente para proclamar a Sabedoria em nossas dicas bíblicas? Para convidá-la a fazer morada em nossos corações? É chegada a hora de comemorarmos o nascimento do menino rei! É dezembro! É Natal!

Poderíamos pousar nosso olhar sobre Jesus, como o Verbo que se fez carne, Sabedoria que se fez presença. Mas hoje optamos por pousar nosso coração sobre Jesus, como o Mestre, fonte de água viva, que trouxe a sabedoria em suas pregações, em sua caminhada, em sua vida!

Venha! Vamos juntos! Com algumas poucas reflexões, mas que possam ilustrar e nos inspirar a tantas outras releituras do Livro da Sabedoria, a partir dos Evangelhos! Vejamos:

Ao perpassarmos pela primeira parte do livro do Livro da Sabedoria (Sb 1,1–6,21), fomos chamados a refletir sobre nossa escolha cotidiana entre sermos justos ou ímpios, em praticarmos a justiça, sendo promotores da vida, ou aliando-nos à morte promovida pela injustiça, pela busca do prazer efêmero e vazio. Fomos levados a refletir sobre as consequências dessa escolha. Pois bem! O que dizer das duas portas, uma estreita e outra larga, que nos falou Jesus (Mt 7,13-14)? A porta que se estreita pelo enfrentamento da morte, do sofrimento, das penas e castigos, quando perseguimos a prática da justiça como sentido de nossas vidas, não será a escolha do justo? A porta que se alarga pelos prazeres efêmeros, pelo vazio da existência, quando nos tornamos cúmplices da morte provocada pela injustiça, pelo ódio, pela maledicência, não será a escolha do ímpio? Porta estreita que conduz à Vida, porta larga que leva à morte. Porta estreita que conduz o justo a viver eternamente ao lado do Pai, porta larga que leva o ímpio a conhecer o choro e ranger de dentes (Lc 13,24-30).

Prosseguindo em nossas reflexões, houve um momento em que nos perguntamos:  o que poderia se contrapor à Sabedoria? Foi quando em Sb 10,1–19,22 o autor nos fez refletir sobre a insensatez da idolatria, e dos riscos da escravidão. Ora, quem mais eloquente do que Jesus para nos falar do jugo da escravidão?  Se o autor do Livro da Sabedoria fala sobre a relação da idolatria com a escravidão, numa releitura do êxodo, da infidelidade a Deus, o que nos diz incessante e exaustivamente o Mestre? Você se recorda?… É preciso estar vigilante contra os falsos profetas, disfarçados em ovelhas a nos seduzir (Mt 7,15-20). É necessário o cuidado para não nos deixarmos contaminar pelo apego ao dinheiro (Mt 19,23-24; Lc 18,24-25; Mc 10,23-25). O que dizer ainda?… Hoje cultuamos ídolos, traduzidos em pessoas, objetos e atitudes, nos esquecendo de “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mc 12,13-17). Como se multiplicam, entre nós, pessoas apegadas à riqueza, que se deixam corromper, a ponto de explorar o irmão mais necessitado, marginalizado, pobre (Lc 11,37-44)! Com que naturalidade olhamos com insignificância a sacralidade que trazemos em nós, templos de Deus que somos (Mc 11,11.15-19; Mt 21,12-13.17)! Tudo são idolatrias!

E foi por não querer nos ver escravizados por falsos profetas, pelo supérfluo das riquezas, pelas hipocrisias e corrupção, pelo uso indevido do nome de Deus para justificar nossas vaidades, pelo desrespeito ao sagrado que habita em nós, que Cristo se colocou entre nós. Foi para a liberdade que Ele nos libertou (Gl 5,1-2).

Podemos nos perguntar então: como viver plenamente o nosso êxodo de cada dia? A resposta? Que tal buscar em Jo 14,1-12!!! O encontro com a salvação em nossa história está em Cristo e com Cristo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai a não ser por mim”.

Eis Jesus: aquele que é o Caminho que nos leva à Sabedoria, fonte inesgotável de justiça e libertação. Esta Sabedoria que a tudo penetra, amiga do bem e dos seres humanos, serena e firme a nos proteger (Sb 7,23). Que se revela no universo e à humanidade com sua ação e presença. Que tudo pode e que, dinâmica, se faz unidade presente na diversidade do mundo, radiante e irradiante… Sabedoria revestida de misericórdia!

É tempo de Natal! Que assim como nos inspirou nosso autor em Sb 9,1-18, oremos ao Senhor, supliquemos ao Pai pelo dom da Sabedoria, para que sejamos capazes de preparar a manjedoura de nossos corações, e acolher exultantes o nascimento do menino Jesus em nós.  Que resplandeça a luz. Que revigore em nós o amor pela justiça. Que vivamos corajosamente nossos êxodos. Que ele chegue e habite em nós! E que nos descubramos filhos da Sabedoria. Que seja nosso natal um Feliz Natal!