Abril 2014

 

A Paixão de Jesus

Jesus deu um forte grito e entregou o seu espírito

Texto de Mt 26,14-27,66

O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, convidam-nos a penar em Jesus o servo obediente a Deus; obediência que o Senhor aprendeu pelo sofrimento. Podemos constatar que toda a vida de Jesus é movida pela escuta de Deus, escuta que o sustentou ao longo de toda a sua vida; escuta que fez com que ele não esmorecesse diante da traição, do sofrimento e da morte.

No relato da paixão Jesus é traído por um dos seus, que partilhou com ele a vida e a fé. Mas não somente um o traiu, mas todos os seus discípulos também foram traidores, pois, negar e abandonar  é também traição. Naquele momento de dor não conseguiram permanecer fiéis àquele que era a Palavra encarnada do Pai. Que dor pode ser maior que a traição e o abandono?

Jesus é inocente e é condenado injustamente à morte. Jesus incomodava com sua prática libertadora e, essa não era aceita. Por muitas razões entre elas a inveja. Estes motivos o levaram a condenação e a morte. A inveja, como toda a paixão que afeta o coração humano é irracional. Dominado pela inveja, o ser humano age perversamente buscando eliminar quem quer que seja.

Durante a sua paixão, Jesus permanece calado.
O silêncio de Jesus durante suas últimas horas é surpreendente.
O silêncio de Jesus denuncia a maldade daqueles que o condenam à morte.
Este silêncio revela também que no desfecho dramático da sua existência terrena se realiza o designo de Deus.

O silêncio de Jesus é sinal da sua entrega nas mãos do Pai. Jesus sofre de angústia, mas, nem uma coisa nem outra o faz desistir de realizar a vontade do Pai.
No final Jesus morre “lançando um forte grito”. Um vigoroso clamor que Jesus dirige “Àquele que podia salvá-lo da morte” (Hb 5,7).

De acordo com Marcos e Mateus, Jesus gritou com voz forte: “Meu Deus, meu Deus! Porque me abandonaste?”.
O evangelista Lucas, ignorou estas palavras e diz que Jesus gritou: do alto da cruz, ele faz a sua entrega definitiva: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”.
De acordo com João, pouco antes de morrer, Jesus diz: “Tenho sede” e, depois de beber o vinagre que lhe oferecem, exclamou: “tudo está cumprido”. Esta descrição apresentada por João, conforme sua visão teológica, “ser elevado à cruz” é para Jesus “retornar ao Pai” e entrar em sua glória. Por isso, seu relato da paixão é a marcha serena e solene de Jesus para a morte, não há angústia nem espanto. Não há resistência a beber o cálice amargo da cruz: “a taça que o Pai me ofereceu, por acaso não hei de bebê-la?”. A morte de Jesus não é senão a coroação de seu desejo mais profundo. Assim se expressa ele: “Tenho sede”, quero terminar minha obra, sinto sede de Deus, quero entrar já em sua glória. Por isso, depois de beber o vinagre que lhe oferece, Jesus exclama: “Tudo está consumado”. Ele foi fiel até o fim.

Vamos pensar um pouco

1.  A Paixão de Jesus  se prolonga em todos os sofredores de nossa sociedade. Quais gestos de nossa parte revelaria a presença de Deus ao lado dos que sofrem?
2. A Paixão de Jesus é a consumação da vontade do Pai. Nós seríamos capazes de sofrer para realizar a vontade do Pai? Viver como Jesus a justiça do Reino?

Fonte:

A Bíblia dia a dia 2014 – Paulinas
Imagem – Cláudio Pastro
Jesus Aproximação histórica  – José Antonio Pagola