DICAS DE LEITURA

Discipulado

O catecumenato vigorou na Igreja até o século V. Nesse caminho, três elementos se uniam: o anúncio da fé em Cristo, por meio da história da salvação, mais as celebrações litúrgicas (bênçãos, exorcismos e celebrações da Palavra) e a conversão contínua, para o catecúmeno levarem a fé cada vez mais a sério em sua vida diária.

Aquilo que meditava na Palavra ou compreendia como verdade do Creio, ou os compromissos de vivência que nasciam da oração do Pai-Nosso ou das bem-aventuranças, não eram diferentes dos gestos e símbolos celebrados na liturgia. Catequese e liturgia estavam unidas.

O catecumenato não era uma supérflua introdução na fé, nem um cursinho. Mas era um processo de compreensão vital, de acolhimento e participação na vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia.

O processo catecumenal durava em torno de dois a três anos e envolvia toda a comunidade, pois entravam em ação: os padrinhos, os chamados introdutores (aqueles que apresentavam o candidato à comunidade), o bispo, os diáconos e os presbíteros (padres). A comunidade se sentia muito responsável por aqueles que dali em diante iam fazer parte dela. Por isso, a Igreja é chamada de Mãe, porque gera os novos filhos(as) para Deus.

O tempo do catecumenato deve ser dedicado a ajudar o discípulo a seguir o Mestre. Isso implica conhecer a vida, a missão e o destino de Jesus de Nazaré, como também assimilar seus sentimentos e desenvolver atitudes como aquelas que ele teve com as mulheres, os órfãos e os pobres de seu tempo.

“O discípulo é alguém chamado por Jesus Cristo para com ele conviver, participar de sua Vida, unir-se à sua Pessoa e aderir à sua missão, colaborando com ela. Entrega, assim, sua liberdade a Jesus, Caminho, Verdade e Vida; assume o ‘estilo de vida do próprio Jesus’, a saber, um amor incondicional, solidário, acolhedor até a doação da própria vida” (Diretrizes gerais… 2008-2010, n. 57). Assim, o tempo da iniciação cristã e, mais propriamente, o do catecumenato é um longo discipulado, no qual se aprende com Jesus a compartilhar com ele o seu destino.

Cada pessoa é chamada a repetir aquela experiência pessoal de encontro com Jesus, por caminhos de liberdade que a levam ao amadurecimento e à construção de uma nova vida. Como os apóstolos, muitos aceitaram o chamado de Jesus: “Vem e segue-me”. Ou, então, como os discípulos de Emaús, que aceitaram fazer o caminho com o Mestre.

“A pessoa divina de Jesus investe e envolve de tal modo aquele que é chamado, que lhe muda o projeto de vida, o modo de viver, de pensar e de agir. Lentamente, o discípulo se encontra com um novo estilo de vida, um novo modo de escolher e de avaliar as coisas, as pessoas e os acontecimentos. O Mestre Jesus exerce sobre o discípulo tal poder de atração, que se torna irresistível! O apóstolo Paulo dirá que foi ‘agarrado’ por Jesus Cristo (cf. Fl 3,12)”.

Constatamos que a iniciação acontece pouco a pouco, à medida que o catequizando abandona o velho homem e se reveste de Cristo por uma vida cristã autêntica. Durante esse tempo, buscam-se criar laços, valorizar a experiência de cada um e discernir as situações à luz da fé.

É o tempo de o discípulo moldar seu coração com uma forte reflexão bíblica; para isso, a catequese emprega o método da leitura orante da Palavra e a liturgia passa a ser o lugar do encontro vivificante com o Senhor, o seu Espírito e o Pai.