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Estilo catecumenal

Ser iniciado implica uma transformação de algo que não era, mas que de agora em diante começa a ser diferente. Afeta radicalmente a pessoa inteira, a sua identidade, suas relações com os amigos e, fundamentalmente, com Deus. Assim como uma pessoa que inesperadamente sofre um acidente de automóvel passa por uma experiência capaz de marcá-la por toda a vida. Depois desse fato, em sua história haverá sempre um antes e um depois. Ela passa a ver o mundo e as pessoas de outra forma.

A iniciação cristã, tal como essa experiência, tem força para mudar nossa vida e gerar uma nova pessoa. Pela graça da Palavra acolhida durante a catequese e pela celebração do Batismo, Crisma e Eucaristia, adquirimos o espírito de Jesus Cristo, fomos enxertados nele, somos nova criatura. Não só de boca, mas todo o nosso ser encontra nele a razão de viver. “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” – afirma São Paulo.

Diante de tantos batizados indiferentes à sua fé, o Documento de Aparecida constata que a nossa catequese de iniciação é pobre e fragmentada e, portanto, insuficiente para promovermos, de fato, uma personalidade cristã. Acrescente, ainda, que temos muitos batizados não evangelizados, que vivem uma fé individualista e bombardeada por inúmeras ofertas religiosas.

A Igreja do Brasil, a partir do Diretório Nacional de Catequese e do Documento de Aparecida, propõe uma nova forma de iniciar a fé. Encoraja-nos a retomar o modelo das primeiras comunidades: a iniciação cristã dos adultos, porque ali encontramos a pedagogia do catecumenato.

O catecumenato era o tempo que as comunidades dedicavam para instruir na fé os adultos. Durante esse tempo, dava-se o amadurecimento da fé, porque o candidato confrontava a experiência que fazia pela leitura da Palavra e pelas orações na comunidade com as atitudes que ia assumindo numa sociedade adversa e plural.

O Ritual de iniciação cristã de adultos, chamado simplesmente de RICA, restaurou essa antiga forma de iniciação dos adultos que pediam o batismo. O caminho completo proposto pelo RICA contempla:

  • três tempos de preparação;
  • três celebrações de passagem;
  • e, por último, o tempo da mistagogia.

 

 

EtapasPré-Catecumenato Catecumenato Purificação Mistagogia
DuraçãoIlimitadaUm ou mais anosQuaresmaTempo Pascal
ConteúdosAnúncio evangélicoCatequese íntegra e graduadaPreparação imediataCatequese sacramental e litúrgica
FinalidadeDespertar a fé e a conversãoAprofundar a féAmadurecer as decisõesIntegrar-se na comunidade
CelebraçõesEncontros

Celebrações da Palavra. Exorcismos menores.

Bênçãos

3 escrutínios

Entrega do Símbolo e do Pai-nosso

Eucaristias comunitárias

Aniversário do Batismo

FunçõesAcolhidaConversãoIluminaçãoContemplação
CategoriaPré-catecúmenos ou simpatizantes ou interessadosCatecúmenos ou ouvintes Catecúmenos ou ouvintesEleitos ou competentesNeófitos

 

Vamos nos deter em três palavras-chave para facilitar a sua compreensão – querigma, discipulado e mistagogia – e nos principais elementos que dão coerência e unidade a todo processo. Estes modificam muito nossa forma atual de fazer catequese.

Inicialmente, destacamos alguns deles:

  • de um tempo a outro, a iniciação cristã se realiza na progressiva compreensão da fé e na aquisição de novas atitudes;
  • há que adquirir familiaridade com os tempos da iniciação, as celebrações de passagem e ver como isso se ajeita no conjunto da vida paroquial;
  • a centralidade de todo o processo se concentra no mistério pascal, raiz comum de todos os sacramentos e mistério principal que define a identidade cristã; daí compreendemos por que o ciclo pascal é tão destacado: a quaresma, o tríduo e o tempo pascal e, por extensão, a participação na Eucaristia dominical;
  • a mútua relação pascal dos três sacramentos confere unidade de sentido a todo o processo, considerado como um só caminho: ser iniciado na vida cristã, com uma identidade própria.
  • não se deve fragmentar o Batismo, Confirmação e Eucaristia como se fossem coisas separadas. Esta unidade leva ao planejamento comum dos processos catequéticos do Batismo de crianças, iniciação à Eucaristia e Crisma de jovens e catequese com as famílias;
  • os catequistas de cada um desses sacramentos trabalharão em conjunto.

A catequese catecumenal tem força suficiente para mudar a pastoral paroquial; desafia a capacidade missionária da comunidade de anunciar a fé e de voltar-se, preferencialmente, para os cristãos que não completaram a iniciação.

É possível a gente pensar uma nova estrutura de iniciação, diferente desta que praticamos em nossas paróquias!

Daí a importância primordial de todo agente pastoral conhecer as características dos tempos e etapas do Batismo de adultos para se familiarizar com os ricos elementos de sua pedagogia. Assim, encontrará caminhos para superar uma catequese de iniciação fragmentada, separada da liturgia e concebida quase unicamente como preparação sacramental de crianças.