Janeiro de 2019

Feliz Ano Novo!

Seguimos adiante com mais um devir! Cá estamos com 2018 na bagagem, a postos para escrever 2019! Quer queiramos ou não. Com disposição ou não. Eis que à nossa frente está mais um ciclo: um nascer, viver e morrer… para, a seguir, renascer num novo outro ano! E é nesta ciranda que vamos tecendo nossa história,  com doses de alegria, outras de tristeza. Com dores que nos amadurecem ou com o entusiasmo que nos motiva. Incrédulos ou filhos da fé. Amigos da Sabedoria ou cúmplices da morte. Reafirmando nossa fidelidade ao Pai ou nos deixando seduzir pela idolatria. Mas o nosso desejo neste primeiro encontro do ano é acreditar que, iluminados pelas nossas reflexões junto ao Livro da Sabedoria no transcorrer do ano findo, tenhamos lucidez para assumirmos com responsabilidade a contínua busca da Salvação na história de cada um de nós.

Para colaborar nesta nossa empreitada, nossas Dicas Bíblicas neste ano irão nos oferecer uma trajetória, que esperamos ser frutífera, com a Primeira Carta de João.  Como tem sido nossa proposta nestes últimos anos, vamos nos deixar inspirar pelo mês da Bíblia com o tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e com o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19).

A Primeira Carta de João é um livro do Novo Testamento, dentre as cartas católicas, escrita provavelmente em torno dos anos 100 a 130. Teve como destinatária uma comunidade com sérios conflitos internos. Dentre eles, talvez o mais grave tenha sido a ruptura interna da comunidade: de um lado aqueles que permaneciam fiéis à proposta do Evangelho, e, de outro, aqueles que, aderindo a pensamentos filosóficos vigentes, passaram a negar alguns aspectos do Evangelho. Questionando a divindade de Jesus, se bastavam em seu amor a Deus, isentando-se do amor ao próximo. Como se não bastasse, agravava o problema a falta de liderança na comunidade, o que os levava a se aproximarem de comunidades hierarquizadas, com o poder de autoridade. Portanto, foi um tempo de conflitos, divisões internas e ameaça de perda de identidade comunitária.

Como podemos perceber, estamos diante de um período que mostra, no retrovisor de nosso passado, situações que vivemos no presente. Se lá tivemos o autor que, com sua perspicácia e sensibilidade, se colocou a serviço para conscientizá-los de suas escolhas, procurando resgatar a unidade no Evangelho, hoje temos uma liderança que, a exemplo de Jesus, com firmeza e doçura se coloca corajosamente em defesa por esta unidade: nosso Papa Francisco.

Num ano que se inicia, com rupturas que sangram, nosso pastor uma vez mais nos faz refletir sobre a responsabilidade de cada um de nós em superar tantas divisões, em conquistar a paz. Com sutileza, ele nos exorta a compreender, em sua mensagem ao dia mundial da paz – 1º de janeiro -,  que ela está ao alcance de todos nós. Isto porque nós somos seres naturalmente políticos, e “a boa política está ao serviço da paz”. Que cada um de nós nos sintamos, juntamente com o poder público, convocados a fazer política. Porque a ação política não é apenas uma responsabilidade do cidadão que foi eleito, mas também de todo cidadão que constitui o nosso contexto social. Somos todos, sem exceção, agentes importantes e essenciais para fazer acontecer políticas públicas que minimizem desigualdades, conflitos internos e tragam equilíbrio ao nosso habitat. Quer seja fiscalizando, quer seja pressionando, atuando ou nos omitindo (lamentavelmente!!), somos iminentemente políticos!

E que não percamos o foco! “Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade*”. A política pode se constituir assim uma forma eloquente e dinâmica de levar o Evangelho aos confins da terra.

Que seja bem-vindo 2019!

*https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-12/papa-francisco-dia-mundial-paz-2019-mensagem.html