Janeiro de 2020

Levante-se, coloque-se a caminho, confiando na promessa (Dt 10,11)

Mais um ano surge, 2020! Trazemos em nossas mãos as realidades vividas em 2019: alegrias, tristezas, fracassos, sucesso; no olhar a sabedoria e a profecia para poder discernir em cada momento nosso presente; no coração, a esperança de um Novo Ano pleno da presença de Deus. Com o coração agradecido, preparemo-nos para mais um ano, no qual teremos a oportunidade de aprofundar a Palavra de Deus, percorrer suas páginas, saboreando a experiência de um povo, que traz em si a certeza de que Deus jamais o abandonou e a possibilidade de também narrar nossas experiências.  Aliás, 2020 é perpassado pela Palavra, pois estamos celebrando o “Ano da Palavra de Deus”, proposto pela Federação Bíblica Católica (FEBIC), por ocasião do seu jubileu de ouro de existência (1969-2019) e em memória dos 1600 anos da morte de São Jerônimo, o tradutor dos textos bíblicos do hebraico, aramaico e grego da Bíblia para o latim, a chamada “Vulgata”. Essa comemoração iniciou no Primeiro Domingo do Advento de 2019 (1 de dezembro) e irá até 30 de setembro de 2020, por ser a celebração litúrgica da memória de São Jerônimo. A FEBIC é uma entidade internacional que tem por missão tornar a Palavra de Deus conhecida por meio de cursos, oficinas, tradução da Bíblia em diferentes línguas, e outras atividades, promovendo, sobretudo, a Animação Bíblica de toda a Ação Evangelizadora.

No dia 26 de janeiro próximo, também celebraremos, pela primeira vez, o Domingo da Palavra de Deus, instituído pelo papa Francisco em 2019, por meio da Carta Apostólica Aperuit Illis.

Para ajudarmos neste caminho de aprofundamento, neste ano e Domingo da “Palavra de Deus”, nossas Dicas Bíblicas propõem uma viagem pelo livro do Deuteronômio. Mas, por que o Deuteronômio? Esse livro foi escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por outras instituições bíblicas, entre elas, o Serviço de Animação Bíblica (SAB/Paulinas), como tema do Mês da Bíblia de 2020, tendo como lema: “abre a tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11).

Na Bíblia hebraica, isto é, no Antigo Testamento, o Deuteronômio é chamado de “Palavras”, por iniciar com a frase: “eis as palavras que falou Moisés a todo o povo” (1,1). O título grego, Deuteronômio, vem da versão grega da Bíblia, chamada Setenta (LXX) ou Septuaginta. Esse nome significa “segunda lei” ou “cópia da lei”. Ele surgiu por um erro de interpretação de Dt 17,18, visto que os alexandrinos (de língua grega) traduziram a expressão hebraica “cópia desta Lei” por “esta segunda Lei”, sendo essa tradução assumida pelas demais traduções da Bíblia, em língua moderna.

O Deuteronômio é o quinto e último livro do Pentateuco (cinco primeiros livros do Antigo Testamento), e se apresenta como uma pausa entre a chegada do povo à fronteira da Terra Prometida, na Transjordânia (Moab), e a entrada e conquista da terra. No Deuteronômio, temos quatro grandes discursos de Moisés, que fazem uma retrospectiva da história vivida, da libertação do Egito, da travessia no deserto, momentos que revelam a fidelidade de Deus, mas também a infidelidade do povo.

É um discurso de despedida, ou melhor, um testamento de Moisés, que é deixado às novas gerações, que entrarão na Terra Prometida. Portanto, não é somente uma memória do que foi vivido, mas traz recomendações que não poderão ser esquecidas quando o povo entrar em Canaã. O Deuteronômio é uma tentativa de ajudar o povo a tomar consciência de que a posse da terra não é resultado somente do esforço do povo, de suas lutas, mas, sobretudo, da fidelidade de Deus, que cumpre as promessas dadas aos patriarcas e matriarcas do povo de Israel. É por isso, que Deus não desiste do povo diante de suas infidelidades, mas o convida a levantar-se, caminhar, confiando na promessa e na Aliança selada entre Deus e o povo.

Neste início de ano, também somos convidados/as a parar para fazermos uma retrospectiva das experiências vividas, percebendo a ação de Deus em nossa caminhada, em nossa família, na vida da comunidade, no trabalho, em todas as situações em nosso dia a dia. Depois, desse olhar retrospectivo, podemos traçar um projeto, ou alguns pontos que desejamos aprofundar no decorrer do ano, para um maior amadurecimento espiritual, tendo por meta o apelo de Deus: Levante-se, caminhe, confiando na promessa (Dt 10,11).

Zuleica Silvano, fsp

Pausa para reflexão

Neste mês celebraremos o Domingo da Palavra de Deus, no dia 26 de janeiro de 2020. Se for possível, leia a carta apostólica sob forma de motu próprioAperuit illis”, na qual o Papa Francisco institui esse Domingo, e escolha algumas de suas sugestões para melhor celebrá-lo. No site do Vaticano, você poderá encontrar a carta apostólica mencionada acima, no link:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/motu_proprio/documents/papa-francesco-motu proprio20190930_aperuitillis.html?fbclid=IwAR0GcJxoY8r1V7l9snclFuBfdQSiOUZDKRsIOPC6xG OvQZSqg PweWMi0TU