Junho de 2019

Jesus: o caminho de luz, para a Luz

Junho, mês consagrado ao Coração de Jesus…e não poderia haver ocasião mais apropriada para refletirmos sobre 1Jo 2,1-17. Nas Dicas Bíblicas anteriores, ouvimos o testemunho do autor a nos anunciar Jesus- manifestação da Vida (1–2). E recordou a mensagem que dele ouviu: Deus é Luz (1,5). Agora, em 1Jo 2,1-17 somos convidados a ver no Mestre o caminho para essa Luz, por meio da verdade professada no novo mandamento: o amor ao próximo. Ele, Jesus, o caminho, a verdade e a vida, está no cerne desse texto, cujo tema central é o amor para com o próximo como consequência do conhecer a Deus e do estar na luz.

Mas, o que é estar na Luz? Como bem vimos, estar na luz é dizer não às trevas (1,5), é estar em comunhão com o outro, é romper a barreira das limitações humanas, libertando-se do pecado, deixando-se purificar pelo sangue de Jesus (1,7), ou seja, pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Sendo assim, com a expressão carinhosa “meus filhinhos”, com a qual se refere à sua comunidade, o autor nos alerta sobre os riscos do pecado. No entanto, ciente da fragilidade humana, nos recorda também que se dissermos que “não temos pecado, enganamo-nos”(1,8). Precisamos assumir que somos pecadores. Mas, sem nos desesperarmos! Para nosso consolo, devemos ter consciência de que podemos contar com a misericórdia divina através de nosso advogado (2,1), Jesus Cristo, vítima de expiação pelos pecados da humanidade (2,2). E nosso autor prossegue. Jesus não só nos purifica de todo o pecado (1,7), Jesus não só anuncia que Deus é luz (1,5), Jesus se coloca como o caminho que nos conduz à Luz. Por isso, é preciso conhecê-lo e segui-lo. Como conhecê-lo? Guardando o mandamento do amor (2,3.5). Como segui-lo? Vivendo, agindo, atuando, permanecendo no mandamento do amor (2,6).

Recordemos que o amor era o único sacramento da presença de Jesus na comunidade, e que o grupo rebelado dizia conhecer a Deus, mas não cumpria esse mandamento (2,4). Afirmava estar na luz e, no entanto, no destrato ao seu irmão visitava as trevas (2,9.11). O autor, ao afirmar que não estava escrevendo um novo, mas o antigo mandamento, já ouvido pelos seus antepassados, garante que conhecer a Deus é praticar esse mandamento, como tão sabiamente viveu e nos ensinou Jesus (2,8.10).

E para que o mandamento do amor prevaleça sempre, convoca as gerações passada, presente e futura, através dos pais, jovens e filhinhos (2,12-13), à necessidade de conhecer Aquele que era desde o princípio, de vencer o maligno e de ser forte, porque estes são os sinais de que a Palavra de Deus permanece neles (2,13-14).

No contexto em que o texto é escrito, o termo “mundo” deve ser compreendido como a sociedade injusta, não comprometida com a vida, lugar onde prevalece a concupiscência da carne e dos olhos e o orgulho da riqueza (2,16), em oposição ao projeto de Deus. Assim, o autor insiste: não ameis o mundo, nem o que há nele (2,15). Porque amar esse mundo é negar a própria identidade (2,17). É negar a presença de Jesus, é negar a vida, é negar o encontro na Luz.

Mês de junho! Mês consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. Que a imagem daquela coroa de espinhos que envolve aquele coração que salta de seu peito, irradiando luz, nos leve a refletir sobre os nossos pecados que não devem impedir-nos de viver o amor pulsante naquele coração, amor radiante e irradiando luz. Que através do amor ao próximo, nas pegadas invisíveis de Jesus, sejamos instrumentos de Deus para levar luz ao mundo. Luz que é Deus! Ao viver esse amor, possamos realmente viver o que significa contemplar o sagrado coração de Jesus.

Pausa para refletir

  1. Leia Jo 12,44-50 e compare com 1Jo 2,1-17. Reflita e comente.
  2. Volte o olhar para o nosso habitat, nossa comunidade, nossa sociedade, nosso mundo, e nos perguntemos: quais são as luzes que posso identificar nesses ambientes? Há algo que nos conduz às trevas em nossa sociedade, em nossa comunidade, em nossas famílias? Apresentar a Jesus essas realidades e nos perguntar como iluminá-las?