Junho de 2020

OUVE, Ó ISRAEL!

“Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso”. É com esta saudação que adentramos em junho. Mês em que celebramos o Sagrado Coração de Jesus. E com ele a pergunta: somos discípulos do Mestre? Sem medo de errar podemos afirmar que seguir Jesus é viver com intensidade o contínuo eco que ressoa em nosso coração: “amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e amarás o próximo como a ti mesmo” (Mc 12,28-30).

Motivados por este mandamento, iniciemos nossa reflexão com o Segundo Discurso de Moisés em Dt 4,44-28,68, dando continuidade ao nosso estudo sobre o tema do Mês da Bíblia, o livro do Deuteronômio.

Dos três discursos que Moisés pronunciou, este é o mais longo e compreende quase que todo o livro do Deuteronômio. Nesta dica junina, limitaremos nossa reflexão à sua introdução (4,44–11,32). A ela seguirá o Código Deuteronômico (12,1–21,19) com as leis cultuais (12,1–16,17), as leis institucionais (16,18–18,22) e as leis sociais (19,1–21,19), que serão abordadas nas próximas dicas, em julho, e nos conduzirão à conclusão deste segundo discurso.

Preparados para mergulhar juntos neste texto, expressivamente eloquente em suas entrelinhas, no exercício de nossa profissão cristã?  Nele encontraremos a essência, não só deste discurso, mas de todo o Deuteronômio. Venha! Vamos juntos, sem pressa! Vamos admirar e vivenciar um pouco a riqueza inesgotável deste texto.

Esse discurso, dando continuidade ao primeiro, trata de estatutos e normas promulgados por Moisés. Antes de abordá-los, no entanto, é preciso ficar claro o seu objetivo ao proferi-lo. Como mediador entre o seu povo e Deus, tendo conduzido o êxodo e sido o mensageiro da aliança (5,5.23-28). Moisés se mantém firme em sua missão: garantir a perenidade da Torá e a fidelidade de Israel a esta Lei, após sua morte. Com esta convicção quer comprometer publicamente o povo a permanecer fiel a Deus, e, de um modo especial, à Lei e à Aliança com o seu Deus.

É a Aliança que dá sentido à Lei, em seus estatutos e suas normas.  E Moisés nos mostra com clareza esse fato, ao longo de seu discurso. Basta que observemos as repetidas vezes em que se refere a ela (Dt 4,13.23; 5,2-3; 7,9.12; 8,18; 9,9.11.15; 10,8; 17,2; 28,69; 29,11.13.20.24; 31,9.16.20.25.26; 33,10). Veemente e imperativo, ele exorta a atenção do povo para a necessidade em permanecer nela, recordando que a Aliança não está no passado para ser lembrada e reverenciada. Ela é permanente, é um compromisso atemporal. “O Senhor não concluiu a Aliança com nossos pais, mas conosco; conosco que estamos aqui, todos vivos” (Dt 5,3). Todos permanecem comprometidos com ela. A Aliança não está no passado, mantém-se no presente. Não se deve subestimar o perigo de que o povo venha a esquecer da Aliança e da experiência vivida no deserto, deixando-se seduzir por tentações que colocam em risco a fidelidade a Deus (Dt 8,1–9,6), e tenha, por isso, que amargar suas consequências. O povo não está isento de possíveis rebeliões (Dt 9,7–10,11), para isso recorda que Israel já se rebelou e só se livrou do castigo, graças à sua intercessão. Pede que as lições do passado se mantenham vivas, a fim de sustentá-los e permanecerem fiéis a Deus.

De posse destas considerações, comecemos nossa jornada de aprofundamento dos estatutos e normas contidas em Dt 4,44–11,32. E, para tal, ele não poderia dar início de outra forma, que não fosse aquela que configura o coração das Escrituras: os dez mandamentos, o Decálogo. Esse decálogo, entregue a Moisés no Monte Sinai, estabeleceu o pacto de fidelidade entre o povo e o Senhor. Ele é fonte da aliança, da ética e da espiritualidade que sustentará o povo. Nele, os judeus se identificam em e com sua história. É a base da Torá.

Os dez mandamentos deverão ser observados, de modo a garantir sua liberdade e prosperidade na terra em que tomaram posse (Dt 5,32–6,3).

Após reavivar suas memórias com os dez mandamentos, símbolo do pacto estabelecido com Deus, prossegue-se convocando o povo a escutarem a Deus: “ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus, o Senhor é UM! Portanto, amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno estejam no teu coração. Tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tua as atarás também à tua mão como um sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu as escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6,4-9).

Moisés, por meio desta profissão de fé, que sintetiza a identidade do povo judeu, estabelece os preâmbulos do Código Deuteronômico, que darão prosseguimento a este segundo discurso, que seremos nas próximas “Dicas”.

Em pleno mês do Sagrado Coração de Jesus, para além das palavras, concluamos, pois, esta nossa reflexão, estabelecendo uma ponte entre Moisés, mediador da Aliança, com a Nova Aliança oferecida por Cristo, que trazem a mesma mensagem: amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças (Dt 6,4) e amarás ao próximo como ti mesmo. Não existe outro mandamento maior do que este (Mc 12,28-34).

Maria do Carmo NarcisoPausa para reflexão

  1. Leia: Dt 5,6-21 e Mt 5,20-43. Reflita. Como você está vivendo os mandamentos em sua vida? E como estão sendo vividos em nossa sociedade?
  2. Nestes tempos de pandemia, o distanciamento social é uma oportunidade para darmos cumprimento à Lei: amarás ao próximo como a ti mesmo. Reflita sobre essa afirmação.

Observação: Adquira o livro do Mês da Bíblia 2020 para rezar e aprofundar Deuteronômio e confira nosso curso EAD sobre Deuteronômio. Mais informações poderão ser obtidas pelo e-mail: sab.ead@paulinas.com.br e pelo WhatsApp (31) 9 9968-3371.