Maio de 2019

Comunhão com o próximo: caminho para a Luz

E então, como estamos? Você se permitiu encantar pela Primeira Carta de João a partir de nossa reflexão sobre o seu prólogo, na Dica anterior? Esperamos que sim! E olhe que muitos outros belos textos nos aguardam! Afinal, recitar a Luz para encontrar a vida, cantar o Amor para estar com o Filho e o Pai, não poderia resultar em textos que não fossem divinos em beleza e conteúdo. Continuamos?…

Em 1Jo 1,1-4 ficou clara a condição de testemunha da existência de Jesus por meio da experiência com Ele. Foi com esta autoridade de quem tocou, viu e ouviu que fomos levados a reviver a afirmativa de que Jesus é o Verbo que se manifestou em Vida.

Nesta nossa Dica de hoje, com a leitura de 1Jo 1,5-10, o autor prossegue. Jesus veio para anunciar que Deus é Luz (1,5). Luz que é o símbolo de vida, se contrapondo às trevas, que representa as realidades que nos levam à morte. Sim! Deus é Luz. Deus é Vida. E Jesus é a Palavra encarnada que nos orienta para esta Luz, conduzindo-nos ao seu encontro, conduzindo-nos à comunhão com Deus (1,5-6)

É assim que o autor, em 1Jo 1,5-7, reafirma à comunidade a mensagem anunciada por Jesus – mediador entre o Pai e a comunidade, de que Deus é Luz (1,5) e que estar em comunhão com Ele é optar pelo caminho em que não há trevas (1,6).

Mas o que se quer dizer com “estar em comunhão com Deus”?

Recordemos que o autor escrevia para uma comunidade dividida. Era preciso contrapor ao discurso daqueles que se bastavam em seu batismo, para se considerem plenos em Deus! Era fundamental manter operante a pregação do Evangelho. Não bastava se dizer em comunhão com Deus.  Se fazia necessário buscar esta comunhão no reconhecimento das limitações e fragilidades humanas, da necessidade de ir de encontro ao outro. Porque não existe comunhão com Deus sem que haja convívio com os irmãos (1,7). Em cada irmão há a manifestação de vida revelando o Deus Pai.

Mas o que é preciso para “estar em comunhão com Deus?

Uma vez mais convém lembrar que o grupo dissidente da comunidade joanina dizia que bastava estar em comunhão com Deus para estar isento do pecado. Acreditavam-se nesta comunhão, sem se preocuparem com as relações concretas vividas no dia a dia, que poderiam levar tanto à Luz quanto às trevas.

Por isto o autor contra argumenta. Para estar em comunhão com Deus é necessário um esforço contínuo em sua direção. É desejar viver o processo de se distanciar das trevas, do pecado. Porque o que é o pecado senão a adesão a este mundo de trevas, comprometido com as injustiças humanas? Estar em comunhão com Deus é reconhecer-se pecador. Reconhecer que somos seres humanos em construção, em processo, pleiteando o caminho de luz plena, isento de trevas. Ao longo desse processo, ao reconhecermos nossos pecados nos tornamos receptivos ao perdão de Deus, e vamos, assim, sendo purificados das injustiças cometidas. Reconhecer-se pecador é a melhor forma de experimentar o perdão de Deus, de estar com Jesus- aquele que nos purifica de todo pecado (1,7.9). Considerar-se sem pecado é enganar-se, é mentir para si mesmo (1,8).

Em nossa caminhada, como lembra 1Jo 1,8-10, somos colocados, frequentemente, diante da escolha entre a luz, com a atitude humilde de reconhecimento por nossas limitações (1,9), e as trevas, com nossa indisposição para nos reconhecermos pecadores (1,8.10). Cabe a cada um de nós ser responsável pela sua escolha.

Pausa para refletir:

  1. Em sua vinda, Jesus anunciou que Deus é Luz (1,5) e nos orientou: o caminho para a Luz perpassa pela comunhão de uns para com os outros (1,7). Como vivemos esta comunhão em nossa comunidade?
  2. Reflita sobre situações em que você se situa no caminho da luz, e outras nas quais você se percebe no caminho das trevas. Como iluminar o caminho das pessoas que se encontram nas trevas?