ARTIGOS

“Onda” de solidariedade a serviço da vida”

Helena Corazza, fsp

O dia 26 de dezembro/2004, um dia depois da celebração do Natal, a humanidade foi surpreendida por marcas de destruição, um tsunami , em regiões turísticas e populosas da Ásia. A violência dos mesmos elementos criados para a promoção da vida, água e terra, provocaram uma catástrofe que mobilizou e, ainda mobiliza, pessoas de todas as raças, credos e condições sociais.

Graças às possibilidades de comunicação à distância pela imagem e pelo som, todos conseguem acompanhar as notícias que entram diariamente em nossas casas. Dias após, é possível ter mais informações, inclusive análises científicas, da tragédia que matou mais de 156 mil pessoas, entre moradores e turistas sobretudo da Europa. Acompanhamos as notícias da morte de alguns brasileiros e a falta de informação de tantos outros.

As mesmas forças que seduziram a tantos para o descanso em terras tropicais, em ilhas vistas como paraíso pela sua beleza, transformam o cenário em terror, morte, falta de condições para a vida continuar. Repete-se, por assim dizer, a história da humanidade que viu no Dilúvio, narrado pelo livro do Gênesis, uma grande desgraça de extermínio para a humanidade.

Milhões de anos depois, não deu tempo para grande parte da população do Oceano Indico embarcar na ” Arca de Noé “. Conforme alguns depoimentos, “os países ricos, principalmente os EUA, sabiam do risco do tsunami , e ninguém foi avisado”. Esse depoimento se confirma: “houve omissão do governo tailandês por causa do turismo. Eles não queriam prejudicar a imagem do país”.

A história da humanidade, de fato, se repete. A grande onda que desabrigou e matou a tantos, hoje se converte em gesto humanitário. Nos fatos da história vamos devagar aprendendo e reaprendendo que a Arca de Noé está em nossas mãos. É preciso estar atentos para construir, a cada dia, e de forma duradoura, a solidariedade global, cultivando a ética do cuidado, independentemente do retorno financeiro.