Outubro de 2017

A Esperança Cristã em 1Ts 5,1-11

Nesta Dica Bíblica, daremos continuidade a nossa conversa sobre o dom da esperança. Assim, concluiremos nossa reflexão sobre a tríade fé-amor-esperança à luz da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses.

Falamos sobre a , adesão ao Cristo morto e ressuscitado, que nos conduz à necessidade de viver o amor. Estamos agora imersos na esperança, que se apresenta, de modo todo especial, em dois textos da nossa carta. Em 1Ts 4,13-18, que aprofundamos em nossa Dica Bíblica anterior, e que se preocupa com a situação dos vivos e dos mortos, procurando responder: “o que acontecerá com aqueles nossos irmãos batizados que morreram antes da vinda definitiva de Cristo”? Em 1Ts 5,1-11, cuja preocupação passa a ser com os vivos, e procura responder à questão: “quando ocorrerá a vinda do Senhor”? Observemos que, tanto num quanto noutro texto, a esperança está associada à questão da vinda de Jesus.

1Ts 5,1-11 nos chama a atenção para essa imprecisão de quando ocorrerá a vinda, uma porque em 4,13-18 a comunidade é levada a pensar que esta vinda está próxima. Acautelem-se! Paulo alerta aos tessalonicenses para o fato de que o fundamental não é ficarem presos ao dia da vinda, mas que vivam em plenitude a espera por esse dia. Uma espera que não seja um convite à ociosidade, mas à busca da salvação que deve ser uma ação continua. (5,8). O Apóstolo também retoma a concepção do “Dia do Senhor” como um dia do Julgamento e reforça a tríade paulina: fé, a esperança e a caridade (1Ts 5,8; 1Cor 13,13). Ao continuar, elimina qualquer especulação sobre quando acontecerão os eventos escatológicos, pois serão definidos por Deus.

Por isso, é preciso um constante vigiar. Paulo usa a imagem do ladrão que chega sem avisar, sem fazer ruído, de repente (5,2.4). Fazendo memória a Amós que afirma que o dia do Senhor é tenebroso e sem luz (Am 5,8) e a Sofonias ao falar sobre o dia de escuridão e trevas (Sf 1,15), Paulo apresenta contraposições: noite e dia, trevas e luz, vida e morte, acordado e dormindo, sóbrio e bêbado (5,5-7). Tudo isso para dizer que a vida cristã é uma constante luta em favor da vida, contra as forças que produzem a morte. (5,8)

O texto conclui-se com uma linguagem direta: estar para sempre com o Senhor; essa é a finalidade do fim dos tempos, da Parusia, o significado profundo da nossa salvação; estar para sempre com Deus e gozar da sua presença (5,9-10). Assim, Cristo Jesus não é somente o paradigma do triunfo de Deus sobre a morte, mas é o mediador da ação divina. Por meio dele, o Pai age vivificando os fiéis que morreram e nos reúne numa grande comunhão.

Interessante notar que Paulo, mesmo utilizando a apocalíptica judaica, descreve de forma sóbria a Parusia, sem se servir de uma transformação cósmica espetacular, exterior ao ser humano, mas sublinhando uma existência nova das pessoas, em comunhão perene com Cristo e entre si. (4,18.5,11) . Deste modo, o cristão e a cristã são chamados a viver a esperança, acreditando no amor de Deus e tornando visível o seu Reino, que é de partilha, justiça, de paz, de comunhão, o Reino inaugurado por Jesus Cristo, por meio de uma mudança de mentalidade e de um novo estilo de vida.

Sugestões:

  1. Em 1Ts 4,13-18 e 1Ts 5,1-11, Paulo fala da esperança cristã fundamentada na vinda do Senhor e exorta a comunidade com as expressões “Consolai-vos uns com os outros” e “Consolai-vos e edificai-vos mutuamente”. Como é possível viver essas exortações em nossos dias, em nossa comunidade?
  2. Que semelhança existe entre os textos Mt 24,42-44 e 1Ts 5,1-11?
  3. 3. Como sermos sinais de esperança diante dos contextos de morte que presenciamos em nosso dia a dia?