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SEPAC: formação para a comunicação na era digital

A comunicação na era digital requer o domínio das novas linguagens e possibilidades para “povoarem o continente digital” com propostas em favor da vida e da solidariedade.

Ir. Helena Corazza, fsp

Formar para a comunicação na era digital é uma oportunidade e um desafio. Oportunidade de entrar nas novas linguagens e nas redes para falar com as pessoas de hoje como pedia Alberione: é preciso fazer o bem às pessoas que vivem hoje e não as de cem anos atrás. O desafio é entrar nas novas linguagens cultivando os valores humanos e cristãos, numa sociedade que se pauta pelas leis do mercado acima dos valores cristãos e humanitários.

Dessa forma, viver a profecia na cultura digital, está descrito na  missão do SEPAC: Capacitar agentes culturais e sociais na área da comunicação, qualificando a atuação profissional, cultural e pastoral, na totalidade do ser humano.

A filosofia do SEPAC visa a formação do ser humano no seu todo: ajudar a ser, a pensar, a produzir e intervir na sociedade servindo-se das novas linguagens que as tecnologias oferecem com ética. Para atingir esses objetivos, a equipe se empenha em ter um ambiente agradável e acolhedor, onde cada um se sinta bem na convivência e no aprendizado do que procura. O trabalho em equipe é um dos valores cultivados na produção que parte da reflexão e das necessidades que cada um apresenta.

A cultura digital

Falar cultura é evocar não apenas conhecimentos adquiridos, mas modos e hábitos de vida, que hoje são “moldados” pelas tecnologias. A palavra digital deriva de dígito e compreende-se em uma linguagem binária que utiliza 0 e 1,  que se expressa numa  linguagem que o computador pode ler e processar. Dessa configuração, tem-se um processo não linear ou hipertextual. Já a cultura analógica, calcada em analogias, em sequências lineares, que se revelam nas tecnologias como gravações em fitas de rolo, tanto no rádio como no vídeo, nas Fitas K7 e VHS. Um diferencial fácil de ser identificado no analógico como no digital são equipamentos como relógios, máquinas fotográficas, filmadoras, ilhas de edição. No digital tudo é sintetizado no computador, cuja linguagem é não linear, descontínua, do hipertexto, agregando texto, som, imagem, navegabilidade.

Sendo hoje a tecnologia digital prioritária, também nos impressos, as produções passam pelo digital, pois estamos na cultura digital. No seu início, o SEPAC, formava as pessoas para atuarem com as tecnologias analógicas como no caso da diagramação do jornal, campanhas publicitárias, cursos de rádio e vídeo. A lógica linear com fitas de rolo para os gravadores de áudio e vídeo. A partir de 1995, com a informatização, tudo passou a ser feito no computador, inclusive a edição de áudio e vídeo. Hoje softwares, cada dia mais sofisticados, dão conta da parte técnica. Basta saber operar.

Desafios da formação continuada

O que se observa é que a juventude, sobretudo os “nativos digitais” já entram nessa lógica não linear e a busca de formação é grande por parte das lideranças, tanto educadores quanto agentes pastorais e profissionais das diversas áreas. Adquirir o conhecimento e desenvolver as habilidades das novas linguagens com a tecnologia digital é uma condição para conversar com a sociedade e ter um universo comum com as novas gerações. E a maior mudança se revela nos equipamentos móveis e táteis, sobretudo, na telefonia.

Uma pesquisa feita com 32 educadores, entre eles, cinco homens e 27 mulheres, da periferia de São Paulo e região metropolitana, participantes do Projeto Comunicação & Educação do SEPAC, mostrou que todos usam o computador ou notebook e o telefone móvel é mais frequente que o fixo. Todos disseram que tem acesso à internet, sobretudo para pesquisa, e usam o email. A maioria participa de redes de relacionamento, sobretudo do Facebook, e acessam sites e blogs.  A pesquisa revela que o uso da internet também ajuda os educadores a se comunicarem com mais facilidade com os educandos e abre canais de comunicação.

A busca pela formação continuada envolve as diferentes profissões, uma vez que a comunicação tem sua interface com as diferentes atuações. Conhecer e transitar nas novas linguagens que a cultura digital oferece é uma questão de continuidade no mercado, seja no campo da educação, da pastoral, da comunicação com a sociedade nos mais variados campos.  Um recente curso de webtv reuniu mais de 20 pessoas de diferentes profissões, mas voltados a webtvs paroquiais, diocesanas ou de comunidades de vida. Já os cursos de gestão em redes sociais, reúne profissionais de diferentes áreas da comunicação como jornalistas, radialistas, analistas de produção e marketing, redatores, entre outros.

Entre os desafios da formação na era digital é ter um universo comum, uma mesma linguagem para o entendimento entre os migrantes e os “nativos digitais”.  Outro é ajudar as pessoas a fazerem escolhas, a produzirem e a interagirem com propostas construtivas nas redes e não apenas curtirem e replicarem. Dito de outra forma, ajudar as pessoas a serem sujeitos de um processo e “povoarem o continente digital” com propostas em favor da vida e da solidariedade.