Setembro de 2017

A Esperança Cristã em 1Ts 4,13-18

Chegou setembro! E com a primavera o mês da Bíblia. Um projeto que teve seu início lá em 1971, e que neste ano, tem como tema: “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e nos convida a refletir com o lema: “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida” (cf. 1Ts 2,8).

Vocês se recordam? Nós nos inspiramos neste mês da Bíblia quando propusemos de caminhar, durante este ano, em nossas Dicas Bíblicas, juntamente com a Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses, o primeiro dos livros do Segundo Testamento.

Nessa nossa caminhada falamos sobre a Tessalônica, tornamo-nos tessalonicenses, compartilhamos da alegria nas ações de graça, e vamos, contemplativa e calmamente, “des-cobrindo” os dons que determinam a identidade do ser cristão proferida por Paulo: a tríade fé-amor-esperança. Já refletimos sobre a fé e o amor. Neste mês da Bíblia, quando temos oportunidade de vivenciar a esperança que brota da Palavra, também nossa Dicas nos convida a refletir sobre o dom da esperança. A esperança cristã vivida pela comunidade tessalonicense. Esperança que Paulo, influenciado pela literatura apocalíptica, professa com a futura vinda de Cristo.

De fato, nos escritos da apocalíptica judaica, que floresceram em períodos imediatamente anteriores a Jesus, as perseguições eram concebidas como uma das tribulações que caracterizariam os eventos que antecederiam o fim dos tempos. Esses escritos faziam ressoar um grito de esperança contra toda evidência do mal, revelando a presença de Deus na História, comandando-a e garantindo o triunfo do seu projeto, a partir de uma realidade nova que já começa a despertar no presente.

Com esse olhar, Paulo, diante das perseguições vividas pela Comunidade em Tessalônica, concluiu e anunciou que a vinda de Cristo estava próxima. Esse evento, denominado “Parusia”, uma palavra grega que pode ser traduzida tanto por “vinda” como “estar presente”.

No entanto, diante da demora da “Parusia” surgiram, entre os tessalonicenses, as seguintes perguntas: O que acontecerá com aqueles nossos irmãos batizados que morreram antes da vinda definitiva de Cristo? Eles ressuscitarão ou não? Eles participarão do evento salvífico final ou ficarão excluídos da salvação?

Paulo precisava esclarecer à comunidade sobre essas duas questões: a situação dos mortos antes da vinda do Senhor, e o tempo em que ocorreria esta vinda. A resposta à primeira questão está em 1Ts 4,13-18, texto que aprofunda sobre a situação dos vivos e dos mortos na Parusia, o manter a esperança diante da certeza da morte e ressurreição de Jesus e a vigilância constante, enquanto a aguardam. E, diante da impossibilidade de determinar com precisão quando ocorrerá essa vinda de Jesus Cristo e o fim dos tempos, a segunda questão será tratada por Paulo em 1Ts 5,1-11, que deixaremos para refletirem nossa próxima Dicas Bíblicas.

Vamos então a 1Ts 4,13-18? Inquestionavelmente, Paulo precisava encorajar os tessalonicenses a manter a esperança e tenta consolar a comunidade, perante suas inquietações (v. 13). Como? Paulo alicerça a esperança cristã na morte e ressurreição do Senhor, sendo essa o fundamento do destino de todos nós que seguimos Jesus Cristo, e a vinda do Senhor o momento definitivo, no qual estaremos com o Senhor (v. 14)

A ação de Jesus será determinada pelo Pai e com sua vinda não haverá nem vantagem, nem desvantagem para os mortos com relação aos vivos, porque tanto um como o outro se encontrarão com o Senhor. Em primeiro lugar os mortos ressuscitarão, pois para Paulo, a ressurreição dos mortos ocorrerá somente na Parusia (v. 15). Até lá, os mortos estão dormindo, na espera da vinda gloriosa de Jesus. Com relação àqueles que estão ainda vivos, eles não experimentarão a morte, mas serão arrebatados (cf. 2Rs 2,1-13; Gn 5,24). E tanto os mortos que serão ressuscitados, como os vivos que serão arrebatados se encontrarão com o Senhor “nos ares”, ou seja, num lugar intermediário entre o céu e a terra. E todos estarão para sempre com o Senhor. Esta é a finalidade do fim dos tempos, o significado profundo da nossa salvação; estar para sempre com Deus, gozar da sua presença e vivermos em comunhão.

Concluindo o texto, Paulo exorta a comunidade a acreditar, mas também a anunciar essa razão da esperança cristã, ou seja, se Jesus foi ressuscitado pelo Pai, nós também cremos que seremos ressuscitados (v. 18).

Sugestão:

  • O que significa para nós crer na ressurreição de Jesus e na Parusia?
  • Quais são nossos questionamentos e medos com relação à morte? Há diferença entre nossos medos e o medo daqueles que não acreditam na ressurreição de Jesus Cristo?
  • A nossa vida é marcada por sinais, gestos de ressurreição? Nossas atitudes expressam que acreditamos que Jesus ressuscitou e que também nós ressuscitaremos?