Setembro de 2018

Sabedoria: revelação divina – Sb 7,22–8,1

É chegado setembro! E com ele a primavera. Instante em que a vida explode em flores, com suas cores e cheiros, depois de ter estado oculta e silenciosa, mas latente. Poderia haver um tempo mais significativo para comemorarmos o mês da Bíblia? Sem dúvida é o mês ideal para aprofundar a Palavra de forma especial, pois abrir a Bíblia é abrir-se à possibilidade de vivermos a primavera da Palavra. Neste ano, por refletirmos sobre o livro da Sabedoria, somos convidados a viver “a Sabedoria, espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6a), como a manifestação divina revelada por meio da Palavra.

Não há, então, momento mais propício para nos perguntarmos: o que é a sabedoria? Qual é a sua origem? Qual é a sua natureza? O autor, após refletir sobre a sabedoria como norma de vida que conduz a pessoa para uma vivência conforme a justiça, apresenta várias características da sabedoria em Sb 6,22–9,18, parte central do livro.

Nesta dica-bíblica, vamos nos ater a Sb 7,22–8,1, na tentativa de buscarmos respostas para as perguntas mencionadas acima. Sb 7,22–8,1 é um belo texto, no qual se entrelaçam o pensar filosófico grego, que tanto influenciou o autor, e a sua fé israelita preservada firme e inabalável.

O redator, para nos dizer o que seja a sabedoria, traz um série de adjetivos (7,22-23) de modo que possamos compreendê-la menos com a razão e mais com os sentimentos. Ele procura nos dar uma ideia do inatingível, de sua essência. No afã de tocar o intocável, tornar sensível o que é visível somente aos olhos da alma, ele nos convida a mergulhar nesse espírito inteligente, santo e amigo (7,22), que a tudo atravessa e penetra (7,24). Com atributos diversos, ávido em esculpir a perfeição (7,23), o autor vai descrevendo a sabedoria e somos surpreendidos com várias características da manifestação de Deus. Deste modo, estamos diante de uma sabedoria que nos faz conhecer o próprio ser de Deus com sua beleza, bondade e amor.

Mas o que falar da relação entre Deus e esta sabedoria que tudo penetra, amiga do bem e dos seres humanos, serena e firme a nos proteger (7,23)? Percebe-se que a sabedoria é aquela que nos conduz ao mistério do próprio Deus, dado que tem a sua origem Nele. Tal qual o sopro do ar, ela dissipa o seu poder criador. Tal qual o fluir da água límpida, ela nos conduz à sua glória (7,25). Luz da luz, através da criação e do cosmo, espelhos da atividade de Deus, ela reflete a luz eterna (7,26).

Assim como o ar, a água e a luz, a sabedoria se revela no universo e à humanidade com sua ação e presença. Apesar de só, ela tudo pode. Dinâmica, ela se faz unidade presente na diversidade do mundo, no suceder de todas as gerações. É Deus renovando continuamente a vida, principalmente a humanidade (7,27). Conviver com a Sabedoria é deixar-se habitar por Deus (7,28), porque ela é radiante e irradiante. Se a noite é capaz de ocultar a luz do dia, o mal não é capaz de ocultar a luz proveniente da Sabedoria (7,30).

A Sabedoria é, pois, o espírito do Senhor que enche o universo, que a tudo une e que a tudo ouve (1,7). A Sabedoria que a tudo fez, está presente em todo lugar (8,1), e com sua bondade, segue desde toda a eternidade, zeloso no cuidado de suas criaturas.

 Pausa para refletir

  1. Leia Sb 6,12-14 e reflita sobre a afirmação: “A sabedoria se deixa encontrar”.
  2. Em Sb 7,24-30, o autor usa a metáfora da luz para falar sobre a Sabedoria. Reflita e comente: como a Sabedoria pode iluminar nossa vida?
  3. Neste ano, o mês da Bíblia tem como lema: “A sabedoria é um espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6a). Pense e medite: houve ocasiões em que você sentiu a companhia deste espírito amigo?