Setembro de 2019

No Amor, com o Amor e pelo Amor: a comunhão com o Pai

E lá vamos nós… caminhando no aprofundamento da Primeira Carta de João, imersos nos ciclos das estações. Vivemos o esplendor do sol de Verão quando o autor, perpassando por Jesus – manifestação da Vida, nos levou a contemplar Deus que é Luz (1Jo 1,4-10). Alertados para os riscos do Inverno de nossa existência, diante do mundo e das trevas daqueles que negavam a divindade de Jesus, nas relações frias dos anticristos, compreendemos que podemos escolher por agasalhar nosso irmão desse frio, oriundo da ausência de nossas ações fraternas (1Jo 2,18-28). Filhos de Deus em processo, fomos chamados a viver plenamente as relações comunitárias, no Outono de nossa jornada, buscando a fecundidade de nosso amor filial (1Jo 2,19-3,24). E eis que chegamos na Primavera de nossa Carta. Chegamos em 1Jo 4,1-21, que se justapõe à primavera que acolhe o Mês da Bíblia, e que tem como lema: “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou”(1Jo 4,19). É tempo de cantar o amor e a fé! É tempo de florir. Florir na fecundidade de nosso Deus. Desse nosso Deus que é amor (1Jo 4,8).

Mas, para nos falar do amor; antes, o autor nos recorda aqueles que negam o amor, e que são uma ameaça permanente a cada um de nós. Ele nos alerta, por meio de sua comunidade, para o perigo proveniente do grupo dissidente, que vivia no avesso desse amor. Negavam a divindade de Jesus, a expressão mais alta do amor de Deus para conosco, ao nos enviar seu Filho. Eram autossuficientes. Bastava-lhes o batismo para se sentirem em comunhão com Deus e tornavam irrelevante o amor ao próximo. Por isso, exorta, com veemência, contra esses falsos profetas (4,1-3), levando-nos a refletir, uma vez mais, entre aquele que, reconhecendo a encarnação de Jesus, está a serviço do Reino, e aquele que está a serviço do “mundo” (1Jo 4,1-6). É preciso estar atentos para saber distinguir entre aquele que vive na morte e nas trevas e aquele que vive na luz e no amor.

Com estas considerações, o nosso autor apresenta o amor. Um amor proveniente de Deus, mas que deve imanar em nossa realidade humana, visto que aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor (1Jo 4,8). Amor que transborda em vida, em luz, e se manifesta no envio do Filho, como salvador do mundo (1Jo 4,10.14). Quem ama nasceu de Deus. Quem ama conhece a Deus (1Jo 4,7), mas não como um mero conhecimento intelectual, dado que esse conhecer nasce do encontro com Jesus e com o irmão. Isto porque, à medida que amamos nossos irmãos vivemos a permanência de Deus em nós, e nos colocamos como instrumentos de seu amor (1Jo 4,12), por meio de gestos concretos. Quando amamos os irmãos passamos para a vida, estamos em Deus. É o amor proveniente de Deus, mas que se expressa no amor fraterno.

Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele (1Jo 4,16). Por isso, quem ama não tem o que temer. Esse amor inspira uma relação de confiança (1Jo 4,17), ao contrário daquele que por não amar, teme o julgamento, porque teme o castigo (1Jo 4,18). Escolha, pois, amar! No amor não há temor.

Inspirados no Amor que é Deus (1Jo 4,8) e se manifesta em  Jesus (1Jo 4,10.15), somos chamados a permanecer em Deus (1Jo 4,16) e a viver em comunhão com nossos irmãos (1Jo 4,7-8.12.16.20).  Dizer sim a esse chamado depende “apenas” de cada um de nós! Mas, precisamos ser sustentados, em nossa decisão, pela força do Espírito Santo.

Pausa para refletir

  1. “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19) é o lema do Mês da Bíblia de 2019. Medite sobre ele e comente.
  2. A quem devemos amar primeiro: a Deus ou ao próximo? Reflita e comente.
  3. O verdadeiro amor pode estar presente em pequenos gestos. Segundo o Papa Francisco, o uso sincero das palavras: obrigado, com licença e desculpe, constitui três pérolas das relações interpessoais. Você concorda com o Papa Francisco?
  4. Como estamos vivenciando o amor, em nossa família, em nossa comunidade, no contexto virtual que frequentamos por meio das mídias sociais?